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Ricardo Giuliani

Textos

Crônicas

Textos de observação cotidiana, tempo, memória e cidade.

Mais recente

Mendonça e Moraes

Mendonça e Moraes: entre togas e rituais, da púrpura à glossolalia A política se alimenta de tempo, e o tempo se empanturra de egos e vaidades, muito tenho refletido sobre isso. Enquanto reflito, a história se repete. Primeiro de setembro e Mendonça torna público o relatório que pediu à Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. Dias depois, Moraes pede a Fachin que investigue o colega por abuso de autoridade, improbidade, crime de responsabilidade. A cada acusação, o espelho voltado contra quem a profere. Roma distinguia com precisão o que o brasileiro moderno confunde. A toga cobria o magistrado, função eletiva, temporária, prestando contas ao Senado ao…

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Classemerdiolite

Memória acorda antes das cinco, no conjunto habitacional que o Estado chamou de Sonho e ela chama de prestação ou de "minha casa minha dívida". Doze horas de trabalho esperam por ela; o ônibus lotado e o cartão de ponto sempre atento.…

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A Dignidade de Íris

A bengala tocava o paralelepípedo antes do pé, um metrônomo de madeira anunciando a passagem. Dona Íris descia a ladeira da Voluntários todas as manhãs, melenas brancas soltas sobre os ombros, indiferentes ao vento que insistia em desarrumá-las. Ninguém sabia sua idade…

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O sabre e a mão que falta

O SABRE E A MÃO QUE FALTA: o uso da IAG Não existe inteligência artificial capaz de superar a burrice natural. Tampouco existe, por mais sofisticado que seja o algoritmo, alguma capaz de operar correções de caráter. A ferramenta amplia o que…

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A Fila do Espelho

A cidade tem um prédio só, e lá tem um elevador, e o elevador tem um espelho. As casas se espalham baixas, quintais com cachorros presos, roupas no varal, e no meio disso ergue-se o único edifício capaz de levantar gente do…

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A farsa: entre Flávio Bolsonaro e Marx

No Pacaembu, sábado passado, um homem preso falou sem estar presente. A voz que saía das caixas de som pertencia a um algoritmo treinado para imitar Jair Bolsonaro, e a própria gravação, antes de qualquer outra coisa, sentiu necessidade de se explicar:…

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A síndrome da fala mansa

Norato falava baixo. Essa era, entre os que o cercavam há anos, a primeira coisa que se aprendia sobre ele, antes de qualquer sala de aula, antes de qualquer banca de correção de redação em que sentava como avaliador convidado. A voz…

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Depois dela

O boné torto me chamou a atenção. Esquina da Independência, skate atravessado na mochila, puxando um ombro mais que o outro. Calça larga, barriga à mostra. Quarenta e tantos anos, é o que imagino. Rugas finas no canto dos olhos atrás do…

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Na padaria, quem rouba quem?

Vou à padaria uma vez por semana, sempre antes das oito da manhã. A senhora do balcão já chegou há horas, sempre pronta pra brigar com a máquina de pesar pão e imprimir código de barras. Os óculos escorregam, ela ajusta, aperta…

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O Fedor de Quem Faz

No elevador do prédio novo, ninguém cheira a nada. É a primeira coisa que se nota, se alguém ainda se dá ao trabalho de notar. O ar ali dentro tem o mesmo perfume neutro do saguão, que é o mesmo do corredor,…

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