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Ricardo Giuliani

Textos

Crônicas

Textos de observação cotidiana, tempo, memória e cidade.

Mais recente

Quem vive cultura, com o bolsonarismo não convive

Quem vive cultura, com o bolsonarismo não convive Antes de fechar as portas de um teatro, é possível esvaziar o sentido de sua existência. Basta repetir que arte é privilégio, que artista é parasita ou maconheiro, que dinheiro destinado à cultura é dinheiro roubado de alguma necessidade mais urgente. Quando a porta finalmente se fecha, parte da plateia já foi convencida de que não perdeu nada. O bolsonarismo soube explorar esse mecanismo: transformar o abandono em virtude e o ressentimento em política. Entre 2019 e 2022, a cultura brasileira enfrentou um governo que fez da hostilidade ao setor uma marca de identidade. A extinção do Ministério da Cultura, logo no…

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POR QUEM DOBRAM

Boa Ventura amanhecia decente. Cidade de fim de mapa, ali onde o Brasil se dobra contra o Uruguai e finge que termina, gente de missa cheia e sala encerada pras visitas que nunca chegam. Sociedade conservadora e discreta, todos sabiam de tudo.…

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Suprema Conversa Hescremêncio

Tarde demais para uma Suprema conversa com Hescremêncio Ricardo Giuliani A forma chega com a violência que a estética bem urdida sabe apresentar; o conteúdo, bem, este se perde miseravelmente nas nuvens de maledicência e de lacrações. Um ministro do Supremo Tribunal…

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Mendonça e Moraes

Mendonça e Moraes: entre togas e rituais, da púrpura à glossolalia A política se alimenta de tempo, e o tempo se empanturra de egos e vaidades, muito tenho refletido sobre isso. Enquanto reflito, a história se repete. Primeiro de setembro e Mendonça…

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Classemerdiolite

Memória acorda antes das cinco, no conjunto habitacional que o Estado chamou de Sonho e ela chama de prestação ou de "minha casa minha dívida". Doze horas de trabalho esperam por ela; o ônibus lotado e o cartão de ponto sempre atento.…

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A Dignidade de Íris

A bengala tocava o paralelepípedo antes do pé, um metrônomo de madeira anunciando a passagem. Dona Íris descia a ladeira da Voluntários todas as manhãs, melenas brancas soltas sobre os ombros, indiferentes ao vento que insistia em desarrumá-las. Ninguém sabia sua idade…

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O sabre e a mão que falta

O SABRE E A MÃO QUE FALTA: o uso da IAG Não existe inteligência artificial capaz de superar a burrice natural. Tampouco existe, por mais sofisticado que seja o algoritmo, alguma capaz de operar correções de caráter. A ferramenta amplia o que…

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A Fila do Espelho

A cidade tem um prédio só, e lá tem um elevador, e o elevador tem um espelho. As casas se espalham baixas, quintais com cachorros presos, roupas no varal, e no meio disso ergue-se o único edifício capaz de levantar gente do…

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A farsa: entre Flávio Bolsonaro e Marx

No Pacaembu, sábado passado, um homem preso falou sem estar presente. A voz que saía das caixas de som pertencia a um algoritmo treinado para imitar Jair Bolsonaro, e a própria gravação, antes de qualquer outra coisa, sentiu necessidade de se explicar:…

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A síndrome da fala mansa

Norato falava baixo. Essa era, entre os que o cercavam há anos, a primeira coisa que se aprendia sobre ele, antes de qualquer sala de aula, antes de qualquer banca de correção de redação em que sentava como avaliador convidado. A voz…

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