Ricardo Giuliani

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Poesias

Poemas e fragmentos em ritmo mais concentrado, entre imagem e palavra.

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A pergunta

Depois da briga, levo o silêncio. Se você disse, fico com isso. É o silêncio que ainda escuta o eco da última frase e se recusa a emudecer. Cada casa guarda um desses, um desses empoeirado num canto. Quem varre? A mão na nuca, o cheiro do café não feito, o lenço que se perdeu no banco do ônibus. Uma cidade onde os relógios param às três. As portas entreabertas, sinceras, francas. As sombras atravessam a fresta e trazem nomes de ninguém. Mesmo assim, todos os nomes é o que chamo em voz alta. O corpo guarda a arquitetura da ausência, marcas de cidade recém-parida. Vício. Um novo início. Nada…

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Antes da razão

O que tem Antes da razão Senão a caminhada de um ex-jovem Por que me perguntam Todos sem razão? A caminhada Traz flores o desprezo pelo diapasão A ambição não me satisfaz A caminhada pede estrelas O gosto abomina o amargo O…

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Tempos e verbos

20Jan Futuro? Bebe desejos. Passado? Imperfeito, quase sempre, Consome vivências, Regurgita pessoas Se veste de cheiros. Perfeito, somente o pretérito. Se me vou ao futuro do pretérito, No indicativo o conjugo. Simples, Composto. Surpresas, indignação, Incertezas. Poderia acontecer, Não aconteceu! O imperfeito…

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Risos e lágrimas

Ricardo Giuliani 22Jan2023 O riso contagia. Gaitadas e alegrias, Rindo, devotamo-nos ao sarcasmo, Nervosos, rimos. O olhar expõe as vísceras O riso as tenta comer. Ri o acanhado, Que, descontrolado, foge do mundo. Ri o maltratado, Doído e cansado Pedindo socorro. Ri…

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Coisas que não sei entender

03fev2023 Ricardo Giuliani Sou feliz, Tão feliz, Que lhes peço perdão. Venho de tempos floridos Quando era fácil te querer. Beber novo amor todos os dias Sorver quentes as coisas frias, Tudo fácil, Até mesmo sentir. Da cova rasa Saltei multidão sem…

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A mesma Senhora

-1Fev2023 Toc! Toc! Toc! Eis o estampido da aldrava Sonando na porta entreaberta - Bom dia. Diz a boca flácida Do velho mordomo - Bom dia. Responde o Destino criança Parado a mirar. - A quem procuras? Questiona o lacaio Lançando olhares…

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A Brisa

A brisa resvala leve Acariciando a fronte. Gélida feito o destempo, Indica horizontes longínquos. Insistente como vagas de oceano, És brisa somente, És revolta ao balanço dos panos. Se esfomeada te vês, De corações te alimentas, Soprando ares e ventos e planos.

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