Depois da briga,
levo o silêncio.
Se você disse, fico com isso.
É o silêncio que ainda escuta o eco da última frase
e se recusa a emudecer.
Cada casa guarda um desses,
um desses empoeirado num canto.
Quem varre?
A mão na nuca,
o cheiro do café não feito,
o lenço que se perdeu no banco do ônibus.
Uma cidade onde os relógios param às três.
As portas entreabertas,
sinceras, francas.
As sombras atravessam a fresta
e trazem nomes de ninguém.
Mesmo assim,
todos os nomes
é o que chamo em voz alta.
O corpo guarda a arquitetura da ausência,
marcas de cidade recém-parida.
Vício.
Um novo início.
Nada fecho.
Na sala vazia
deixo a cadeira inda quente.
E ao lado, a pergunta:
o que sumiu enquanto você me lia?