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Ricardo Giuliani

Ensaios

Lambança no Supremo

Resumo. Examino o confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, deflagrado em setembro de 2026 a partir do caso Banco Master, e proponho lê-lo como disputa política travada com instrumentos processuais, a que dou o nome de lambança. Na primeira parte, localizo o fato com rigor documental. Na segunda, situo a crise diante do ciclo AI-2, AI-5 e AI-6, quando a ditadura militar ampliou, expurgou e reduziu o Supremo em ato sem precedentes na história do país, e concluo que a crise atual é menos grave: expressa as consequências de um agir bonapartista, não a submissão da Corte a um poder de fato. Na terceira, discuto o endeusamento midiático do verdugo da hora e sua capacidade de contaminar eleições presidenciais, e os desafios do presidente Edson Fachin diante do calendário eleitoral. Na quarta, mobilizo o bonapartismo de Marx, o cesarismo de Gramsci e o estamento burocrático de Faoro para compreender a autonomização do aparelho judicial. Concluo que o episódio é sintoma do colapso da forma-Estado da modernidade e que a saída exige revisitar o próprio conceito de Estado, com um Supremo exclusivamente constitucional e um Congresso sem emendas parlamentares, e não apenas reformar o tribunal.

STF Lambança Final PDF
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